Written on Julho 31st, 2011 at 9:09 am by

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Há muitos anos atrás, havia um rei       e uma rainha que
desejavam muito ter um filho. Um dia, quando a rainha       estava
tomando banho, um sapo pulou pela janela e disse-lhe:
– Seu desejo será satisfeito. Antes de um ano você terá uma
filhinha.

As palavras do sapo tornaram-se realidade. A rainha teve uma linda
menina.      O rei exultou de alegria. Preparou uma grande festa para a
qual convidou     todos os parentes, amigos e vizinhos. Convidou também
as fadas, para que    elas fossem boas e amáveis para com a menina.
Havia treze fadas no reino,    mas o rei tinha apenas doze pratos de
ouro para serví-las, de modo que uma     das fadas teria que ser posta
de lado.

A festa realizou-se com todo o esplendor e, quando chegou ao fim,
cada uma      das fadas ofereceu um presente mágico à criança. Uma
deu-lhe virtude;  outra, beleza; a terceira, riqueza, e assim por
diante, foram-lhe dando tudo o que ela poderia vir a desejar no mundo.
Quando onze das fadas já       haviam feito suas ofertas, de repente,
apareceu a décima terceira fada.       Ela desejava mostrar o despeito
de que estava possuída por não ter sido       convidada. Sem
cumprimentar nem olhar para ninguém, entrou no salão e       gritou para
que todos ouvissem:

– Quando a princesa completar quinze anos, picar-se-á com um fuso
de tear      envenenado e cairá morta.
Sem dizer mais nada, retirou-se.

Todos os presentes ficaram horrorizados. A décima segunda fada,
porém,    que ainda não tinha formulado o seu desejo, deu um passo à
frente. Ela não tinha capacidade para cortar o efeito da praga, mas
podia abrandá-la, de modo que disse:

– Sua filha não morrerá, mas dormirá um sono profundo, que durará
cem   anos.

O rei ficou tão preocupado em livrar a filha daquele infortúnio,
que deu      ordens para que todos os fusos de tear que se encontrassem
no reino fossem      destruidos. À medida que o tempo ia passando, as
promessas das fadas iam     se realizando. A princesa cresceu tão
bonita, modesta, amável e inteligente, que todos que a viam se
encantavam por ela. Aconteceu que,       justamente no dia em que ela
completava quinza anos, o rei e a rainha       tiveram necessidade de
sair. A menina, encontrando-se sozinha, começou a       vagar pelo
castelo, revistando todos os compartimentos. Finalmente chegou       a
uma velha torre onde havia uma escada estreita, em caracol. Por ela foi
subindo, até que chegou a uma pequena porta, em cuja fechadura havia uma
chave enferrujada. Dando-lhe a volta, a porta abriu-se. Num pequeno
quarto, estava sentada uma velhinha, muito ocupada com um tear, fiando.
Vivia tão isolada na torre, que não tomara conhecimento da ordem do rei,
com relação aos fusos e teares.

– Bom dia, vovozinha, disse a princesa. Que está fazendo?
– Estou fiando, respondeu a velhinha e inclinou a cabeça sobre o
trabalho.
– Que coisa é esta que gira tão depressa? perguntou a princesa,
tomando     o fuso na mão.

Mal o tocou, porém, levou uma picada no dedo e, imediatamente caiu
numa     cama que havia ao lado, entrando num sono profundo. A velhinha
desapareceu.      Quem sabe se ela não era a fada má? O rei e a rainha,
que acabavam de  chegar, deram alguns passos no vestíbulo e adormeceram
também. O mesmo sucedeu com os cortesãos. Os cavalos dormiram nas
cocheiras; os cães, no       pátio; os pombos, no telhado; as moscas,
nas paredes. Até o fogo, na       lareira, parou de crepitar. A carne,
que estava assando, no fogão, parou       de estalar. A ajudante de
cozinha, que estava sentada, tendo à frente uma       galinha para
depenar, caiu no sono. O cozinheiro, que estava puxando o       cabelo
do copeiro, por qualquer tolice que ele havia feito, largou-o e
ambos adormeceram. O vento parou e, nas árvores em frente ao castelo,
nem       uma folha se mexia. À volta do muro, começou a crescer uma
sebe de       roseira brava. Cada ano ia ficando mais alta, até que já
não se podia       mais ver o castelo.

Décadas se passaram e surgiu na região uma lenda, sobre a “Bela
Adormecida”, como era chamada a princesa. De tempos em tempos,
apareciam príncipes que tentavam fazer caminho através da sebe, para
entrar no castelo. Não conseguiam, entretanto, porque os espinhos os
impediam e eles ficavam presos no meio deles.

Após muitos anos, um príncipe muito audacioso veio à cidade e
ouviu um    velho falar sobre a lenda do castelo que ficava atrás da
sebe, no qual uma linda moça, chamada a “Bela Adormecida”, dormia havia
cem       anos e, com ela, todos os habitantes do castelo. Contou-lhe
também que       muitos príncipes tinham tentado atravessar a sebe e
nela haviam ficado       presos, morrendo.

O príncipe então declarou:
– Não tenho medo. Irei e verei a “Bela Adormecida”.
O bondoso velho fez o que pode para impedir que ele fosse, mas o
rapaz    não quis ouví-lo.

Agora, os cem anos já se haviam completado. Quando o príncipe
chegou à    sebe, como por encanto, os arbustos que estavam cheios de
brotos, afastaram-se e deram-lhe caminho. Após sua passagem, fecharam-se
novamente. No pátio, ele viu os cães dorminho. No telhado, estavam os
pombos, com as cabecinhas escondidas debaixo das asas. Quando entrou no
castelo, viu moscas dormindo nas paredes. Perto do trono, estavam o rei
e       a rainha, também adormecidos. Na cozinha, o cozinheiro ainda
tinha a mão       levantada, como se fosse sacudir o copeiro. A ajudante
de cozinha tinha à       sua frente uma galinha preta para depenar.

O rapaz continuou a percorrer o castelo. Estava tudo quieto.
Finalmente     chegou à torre, abriu a porta do quarto onde a princesa
dormia e entrou.    Lá estava ela, tão bonita que ele não se conteve:
abaixou-se e beijou-a.   Assim que a tocou, a “Bela Adormecida” abriu os
olhos e sorriu       para ele. Levantou-se, deu-lhe a mão e desceram
juntos. O rei, a rainha e       os cortesãos acordaram também e
entreolharam-se, espantados. Os cavalos,       nas cocheiras, abriram os
olhos e sacudiram as crinas. Os cães olharam à       volta e abanaram as
caudas. As pombas do telhado tiraram as cabeças de       sob as asas,
olharam ao redor e voaram em seguida para o campo. As moscas,       na
parede, começaram a mover-se, lentamente. O fogo, na cozinha,
acendeu-se novamente e assou a carne. O cozinheiro puxou as orelhas do
copeiro, enquanto a ajudante começou a depenar a galinha.

O príncipe, apaixonado, casou-se com a princesa, num claro dia de
sol,    numa grande festa no castelo, e viveram felizes por muitos e
muitos anos.

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